Você se deixa levar pela opinião da maioria? Saiba porque isso é um grave erro

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A maioria das pessoas pode estar errada? Quase sempre está. Quais são os perigos que corremos ao seguir o pensamento coletivo? Porque nunca devemos aceitar algo como certo só porque a maioria acredita?

Em uma tarde quente em Coleman, Texas, uma família está jogando dominó na varanda. Em um certo momento, o sogro sugere que eles façam uma viagem para Abilene para jantar. A mulher diz: “Soa como uma grande ideia”. O marido, apesar de ter reservas, como o clima está quente e a viagem é longa, acha que provavelmente não está em sintonia com o grupo e diz: “Parece bom. Espero que sua mãe queira ir”. A mãe responde: “Claro que eu quero ir, não vou a Abilene há muito tempo”.

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A viagem, claro, é longa e quente. Quando eles chegam ao restaurante, a comida é terrível. Eles voltam para casa exaustos, quatro horas mais tarde. Um deles diz: “A viagem não foi ótimo, certo?”. A sogra diz que preferia ficar em casa, mas que empolgou-se porque todo mundo estava tão animado. O marido diz: “Eu não estava feliz de ir, só fui para satisfazê-los”. A mulher diz: “Eu fui apenas para te fazer feliz, teria que estar louca para querer sair com este calor”. O sogro diz então que só sugeriu porque achava que os outros estavam aborrecidos.

Este é o chamado Paradoxo de Abilene: Quando um grupo de pessoas decidem coletivamente tomar ações que são, de fato, contrárias às preferências de muitos ou de todos os indivíduos dentro do grupo. O Paradoxo de Abilene é apenas um caso em que um grupo pode tomar decisões erradas ou insensíveis por causa do número de pessoas envolvidas na decisão.

Groupthink ou “pensamento de grupo”

Em 1972 o sociólogo Irving Janis cunhou o termo “pensamento de grupo” (“groupthink”) que indica que os grupos pequenos e unidos cujos líderes são respeitados são suscetíveis de produzir decisões com defeitos graves. Isto porque, segundo Janis, os grupos ligados tendem a tentar manter a coesão e unanimidade e, assim, ignoram os problemas no processo de tomada de decisões, a fim de preservar a harmonia do grupo. Como resultado, o grupo é isolado de opiniões contrárias de outros, e, coletivamente, eles estão convencidos de que suas decisões são magníficas e que o sucesso é inevitável.

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A anulação da diversidade no grupo, ameaça assim a existência de novas e melhores soluções, anulando a criatividade. Os membros individuais do grupo tentam adaptar as suas próprias opiniões e racionalizar opiniões coletivas, tentando construir o consenso e evitar tornar-se o foco de dissidências, visto que grupos minoritários tendem a serem isolados.

De acordo com estudos realizados por Janis, o pensamento de grupo tende a ocorrer com mais frequência em locais como comitês, grandes organizações e grupos militares. Entre os casos estudados por Janis em que foram feitas más decisões por conta do pensamento de grupo estão o bombardeio de Pearl Harbor, a guerra do Vietnã e a invasão da Baía dos Porcos.

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De acordo com Irving Janis, uma série de condições podem levar ao pensamento de grupo. Além de isolamento, alta coesão e da existência de uma liderança forte e respeitada, como já foi mencionado, também podem influenciar as situações que geram altos níveis de estresse procedentes de ameaças externas, existência de erros ou falhas recentes e a presença de dilemas morais. Além disso, a ausência de regras que exijam a aplicação de uma metodologia rigorosa na tomada de decisões pode, obviamente, precipitar as decisões erradas.

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Além disso, uma série de características são identificadas como possíveis sinais de pensamento de grupo: a existência de estereótipos para caracterizar os que não pertencem ao grupo, particularmente quando se trata de adversários , a existência de auto-censura e ilusão de unanimidade são também alguns dos sintomas. Também pode acontecer de existirem membros cuja função é proteger o grupo de receber informações negativas que possam fazê-lo questionar as decisões.

Polarização

Há evidências de que em situações de grupo, as pessoas tomam decisões e formam opiniões mais extremas que situações individuais. Este fenômeno sociológico é chamado de polarização de grupo, e demonstrou-se que os indivíduos em grupos de discussão defendem posições extremas e mais arriscadas do que outros que não participaram destas discussões.

“Quando as pessoas concordam comigo eu sempre sinto que devo estar errado”.

Oscar Wilde

A polarização de grupo ajuda a explicar uma série de fenômenos sociológicos, tais como o terrorismo e a violência. Por exemplo, em grandes reuniões políticas pode acontecer que os indivíduos que anteriormente detinham uma posição política, mas podiam adicionar dúvidas e nuances em suas opiniões sentem-se mais coesos com o partido, mais fortalecidos e inclinados a tomar medidas, e assim, também mais propensos à violência.
Estudos indicam que as pessoas postas em júris coletivos tendem a dar uma sentença com penas mais altas do que qualquer um dos jurados daria individualmente.

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O filósofo e jornalista Walter Lippmann dizia que “onde todos pensam da mesma forma, ninguém pensa muito”, e parece estar certo. Para evitar tais falhas nos processos lógicos, os grupos devem convidar opiniões externas e examina-las, por exemplo, chamando especialistas para consultas sobre os seus processos de tomada de decisões. Da mesma forma, os líderes devem procurar não ter qualquer influência sobre o processo. Estar cientes das falácias lógicas em que poderíamos estar incorrendo também sempre ajuda, e por fim, sempre devemos conectar o cérebro antes de abrir a boca.

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