O que está por trás dos protestos no Brasil?

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O que leva a grupos empresariais nacionais e do exterior a financiarem movimentos “contra a corrupção” e pela redução do Estado no Brasil?

Os movimentos que levaram as pessoas às ruas no Brasil, primeiramente com pautas vagas como “contra a corrupção” e posteriormente contra o governo do PT aparentemente não são tão espontâneos assim, pois conforme indica reportagem da agência “A Pública” de junho de 2015, movimentos como o MBL (Movimento Brasil Livre) e o “Vem Pra Rua” recebem gordas contribuições para se manterem e angariarem novos seguidores para a sua “causa contra a corrupção” e a favor do Estado mínimo.

Este financiamento era primeiramente feito por grupos internacionais, entre os quais se destacavam as ligações com as think tanks mantidas pelos bilionários irmãos Koch para defender seus interesses. O site “The Real News” afirma que praticamente todos os movimentos de vanguarda “contra a corrupção” e que propagam as ideias liberais são financiados pelos irmãos Koch e que estes em realidade servem como parte de uma estratégia para defender seus interesses.

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Entre os pontos levantados pela reportagem da agência “A Pública”, destacam-se os seguintes:

-Fábio Ostermann, coordenador do MBL, é assessor do Deputado Marcel van Hattem (PP-RS)

-O Deputado, foi eleito com doações da Gerdau, e do grupo Évora – do pai de Anthony Ling, fundador do EPL –, também participou de cursos na Acton Institute University, a mais religiosa das fundações libertarianistas que compõem a rede de fellowship da Atlas e da Koch Foundation;

-O currículo de Fábio Ostermann, diz que ele foi Koch Summer Fellow na Atlas Economic Research Foundation.

-A Atlas é uma das principais parceiras do IHS -Institute of Human Studies- fundação da família Koch; um dos principais responsáveis pelos programas de Fellowship para estudantes. Só em 2012 foram distribuídos 900 mil dólares em doações de acordo com o formulário entregue ao IRS.

-Estes grupos começaram se reunir no Forum Da Liberdade, principal fórum conservador do país. Foi ali que, em 2006, foi lançado oficialmente o principal think tank da direita no Brasil, o Instituto Millenium.

-Armínio Fraga é sua figura mais conhecida no campo econômico. Seus mantenedores são a Gerdau, a editora Abril e a Pottencial Seguradora, uma das empresas de Salim Mattar, dono da locadora de veículos Localiza, amigo pessoal de Aécio Neves. A Suzano, o Bank of America Merrill Lynch e o grupo Évora, dos irmãos Ling;

-William Ling participou da fundação do Instituto de Estudos Empresariais (IEE) em 1984, que, formado por jovens líderes empresariais, organiza o Fórum desde a primeira edição; seu irmão, Wiston Ling, é fundador do Instituto Liberdade do Rio Grande do Sul; o filho, Anthony Ling, é ligado ao grupo Estudantes pela Liberdade, que criou o MBL;

-A rede de think tanks liberais e libertaristas no Brasil se completa com mais duas entidades: o Instituto Ordem Livre – que realiza seminários para a juventude – e o Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista, do Rio de Janeiro.

-Todas as organizações compõem a rede da Atlas Network no Brasil, incluindo o MCN de Gloria Álvarez, a Universidade Francisco Marroquín e o Estudantes pela Liberdade, uma organização que nasceu dentro da Atlas em 2012;

-Entre as financiadoras do Students for Liberty, a Atlas levanta um volume bem maior de recursos para a organização, através de suas parceiras. Todos os maiores doadores do Students for Liberty também são doadores da Atlas. Nem sempre é possível saber a origem do dinheiro, apesar da obrigação legal de publicar;

-O relatório 2014-2015 da Students for Liberty mostra uma arrecadação de fundos impressionante: US$ 3,1 milhões comparados a apenas US$ 35,768 mil dólares obtidos em 2008, quando a organização foi fundada.

-Há dois brasileiros no International Board do Students for Liberty (entre dez membros), e o relatório deste ano dedica uma página especialmente às manifestações do MBL no Brasil.

-Os programas são realizados em parceria com outras fundações, principalmente o Cato Institute, a Charles G. Koch Charitable Foundation e o IHS, Institute of Human Studies – TODAS fundações ligadas à família Koch, uma das mais ricas do mundo.

-As 11 fundações dos Koch despejaram 800 milhões de dólares nas duas últimas décadas na rede americana de fundações conservadoras.

Atualmente, estes movimentos seriam financiados majoritariamente por empresários locais (brasileiros), o que explica a disposição destes grupos para “exigirem” junto ao congresso a rejeição da taxação de grandes fortunas.

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