5 mitos da Segunda Guerra Mundial em que você ainda acredita

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Será que a Alemanha nazista realmente perdeu a guerra para o inverno russo e lutava ‘sozinha contra o mundo’? O Japão rendeu-se apenas por causa das bombas atômicas? Conheça 5 mitos da Segunda Guerra Mundial nos quais você ainda acredita.

A Segunda Guerra Mundial foi sem dúvida alguma o maior conflito da história da humanidade e vitimou entre 50 e 60 milhões de pessoas sendo até hoje um dos episódios que mais suscitam debates acerca de seus detalhes e pormenores que nem sempre são apresentados de forma verídica estabelecendo-se muitas vezes afirmativas irreais como senso comum sobre tais acontecimentos. Para esclarecer alguns destes pontos, hoje listamos aqui cinco dos maiores mitos da Segunda Guerra Mundial.

1.- A Alemanha lutava sozinha contra o mundo

Este é um dos mitos mais disseminados na internet atualmente quando se fala na Segunda Guerra Mundial, principalmente por admiradores da Alemanha. No entanto, a realidade está bem longe disso, pois além dos países principais que compunham o Eixo (Alemanha, a Itália e o Japão), estes contaram com o auxílio de muitos outros, tais como Bulgária, Hungria, Romênia, Finlândia, Tailândia, França de Vichy, Eslováquia, Croácia e Albânia, além de países que tiveram uma participação menor ou indireta no conflito apoiando o Eixo, como o Iraque, a Dinamarca e a Espanha. Neste ponto não deveriam haver muitas dúvidas, tendo em vista que países como a Romênia forneceram cerca de 800.000 soldados e importantes reservas de petróleo para a Alemanha nazista.

2. A Alemanha perdeu a guerra por causa de Hitler

Ainda que Hitler tenha sido responsável por grandes desastres durante toda a guerra, está longe de ser o único e principal responsável pela derrota alemã, exceto se considerarmos que o início da guerra foi o responsável pela derrota. Esta visão amplamente difundida justifica-se em parte pelo grande controle sobre as operações das forças armadas que Hitler acumulou, principalmente nos últimos anos da guerra. No entanto, tal afirmação é principalmente baseada nas visões contidas nos diários dos orgulhosos comandantes alemães e quando confrontadas com outros documentos, tais como os da URSS liberados ao público a partir de 1991, vemos que além de Hitler, a inteligência alemã e vários dos comandantes cometeram erros que também contribuíram para a derrota.

3. A Alemanha perdeu a guerra na Rússia para o inverno

Este é um dos mitos mais difundidos em toda a história e que apresentam uma interpretação superficial e baseada em relatos alemães sobre a guerra, devendo-se em parte ao secretismo dos documentos soviéticos da guerra até 1991. No entanto, quando avaliamos a guerra no leste passo a passo vemos que esta perspectiva não explica de nenhuma forma a derrota alemã, já que até mesmo um exercício simples de lógica nos permite ir além deste simplismo. Vejamos: Ainda que o inverno russo tenha trazido dificuldades para o avanço alemão nos anos de 1941 e 1942 por tê-los pego de surpresa, na Batalha de Moscou travada em fins de 1941 os alemães foram impedidos de avançar por tropas soviéticas.

Todavia, nunca se considera que o inverno trazia dificuldades para ambas as partes e que um inverno pode chegar ‘de surpresa’ para os planos alemães, mas os invernos posteriores não. Deste mesmo modo, na Batalha de Stalingrado as tropas alemãs foram derrotas por tropas soviéticas, sendo exatamente esta a explicação mais fiável para a guerra quando avaliada minuciosamente. Os alemães combateram ferozmente até o fim da guerra, tendo sido superados pelos números e técnicas soviéticas.

4. Stalin não ouviu seus oficiais da inteligência sobre uma eminente invasão alemã

Tal afirmação seria uma equivocada tentativa para explicar o estrondoso sucesso alemão e a enorme quantidade de baixas sofridas pelos soviéticos nos primeiros meses da invasão alemã. No entanto, ainda que certa surpresa tenha existido (principalmente por parte dos soldados), o erro de Stalin foi precisamente outro.

Em sua tentativa de perpetuar-se no poder e eliminar eventuais concorrentes, Stalin acabou prendendo e enviando para campos de trabalhos forçados boa parte dos oficiais mais bem preparado do Exército Vermelho no período que antecede a guerra, de forma que o comando estava desfalcado e carente de bons oficiais. Além disso, também aconteceram diversas mudanças estratégicas dentro do Exército neste mesmo período e que ainda não estavam maduras o suficiente. Sabendo disso, Stalin esperava postergar ao máximo possível o início da Guerra, inclusive não autorizando grandes e alarmantes preparativos nas regiões próximas às fronteiras. Isso não significa que ele esperava ingenuamente que a Alemanha não o atacaria, tendo em vista que mesmo assim foram construídas defesas que não estavam prontas no momento da invasão. Tal ciência manifesta-se também na mobilização de centenas de milhares de reservistas para o Exército Vermelho dos cerca de 14 milhões que tinha algum treinamento militar.

5. A bomba atômica acabou com a guerra

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A ideia de que as bombas nucleares levaram à rendição do Japão em 15 agosto de 1945 tem sido para muitos o conhecimento padrão de como e porque a guerra terminou.

Mas estudos recentes baseados nos documentos japoneses concluíram que a entrada inesperada da URSS na guerra contra o Japão em 8 de agosto foi, provavelmente, um golpe ainda maior para Tóquio do que o bombardeio de Hiroshima dois dias antes.

Até então o Japão esperava que os russos pudessem ser intermediários nas negociações para pôr fim à guerra.

Saiba mais:

Glantz, David M. “Confronto de Titãs; Como o Exército Vermelho derrotou Hitler” : C & R Editorial 2009.

Hobsbawm, Eric. “Era dos Extremos : o breve século XX : 1914-1991”. São Paulo : Companhia das Letras, 1995.

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